domingo, 15 de abril de 2012

Forças Armadas portuguesas a caminho da Guiné-Bissau

A Força de Reação Imediata (FRI) das Forças Armadas portuguesas, composta por uma fragata, uma corveta e um avião P-3 Orion, partiu hoje ao início da tarde para a Guiné-Bissau.

Fonte oficial do Ministério da Defesa afirmou à Lusa que os militares portugueses não têm qualquer  operação definida para já e que esta decisão acontece na sequência do aumento do nível de prontidão da FRI.

"O objectivo desta decisão é ficarmos mais próximos da Guiné-Bissau caso venha a ser necessário proceder a uma missão de evacuação de cidadãos portugueses e de pessoas de outras nacionalidades", referiu esta fonte.

Manifestação pacífica em Bissau reprimida pelos militares

Foi dispersada há momentos uma manifestação pacifica na cidade de Bissau, quando um grupo de cidadãos se aproximava do Palácio do Povo, edifício da Assembleia Nacional, numa clara demonstração de repúdio pelo levantamento militar, que desde quinta feira passada 12 de Abril, mergulhou o país em mais uma vergonhosa situação de instabilidade, de contornos ainda não claramente definidos.

Esta marcha organizada pela sociedade civil é um grito de “BASTA” que os militares continuam a não querer ouvir.

Cidadãos civis, jovens, mulheres e homens idóneos da Guiné Bissau, sentem-se mais uma vez amordaçadas as suas vozes, por homens, cujos actos demonstram claramente terem a cabeça vazia da quaisquer projectos ou ideias para o país. Homens cuja única linguagem que entendem e sabem falar é a das balas, uma língua que hoje se quer descartada das sociedades.

A incompetência dos militares revoltosos guineenses, nem lhes permite dialogar, ouvir os cidadãos, na procura de vias para possível resolução de uma situação que tão imbecilmente criaram.

Mais numa vez o povo quis hoje sair às ruas para se fazer ouvir, e aqueles que, em comunicados lidos na Rádio, dizem preocupar-se com o povo, não quiseram ouvi-lo.

Vamos continuar a gritar “BASTA” até que as vozes se nos fujam. De certo que seremos ouvidos.

 

Veja agora as imagens captadas pelas câmaras da RTP.
 Bissau viveu manhã violenta na sequência de protestos - Mundo - Notícias - RTP

O medo reina em Bissau

Este domingo está a ser dominado por medo generalizado. Depois de dispersão brutal da uma marcha pacífica de um grupo de Jovens, junto as instalações da Assembleia Nacional em Bissau, jovens que unicamente pretendiam fazer ouvir as suas vozes e pedir um "Basta" para tanto sofrimento que a Guiné Bissau conhceu nos últimos tempos.

Perante este acto musculado e intimidatório as pessoas estão amedrontadas. Foi o que pude verificar há minutos, numa conversa com um morador da capital. As pessoas têm medo de falar para não sofrerem as consequencias, e as poucas que ousam dizer algo, escolhem cuidadosamente o que dizer.

A situação é de tal ordem que a representação das Nações Unidas em Bissau, está reunida para decidir sobre a eventual evacuação do pessoal desnecessário.

Muito provavelmete outras representações farão o mesmo. Tudo isso quererá dizer que se a ajuda não for enviada nas próximas horas, a imprevisibilidade da situação deixará os guineenses a mercê dos caprichos dos militares.

Até quando o sofrimento deste povo que só quer viver em paz.


As incertezas do que se passa em Bissau

Segundo informações contraditórias a circular em Bissau, ainda por confirmar, alguns militares continuam a pilhar casas de antigos governantes, retirando viaturas e outros bens. Contradiatórias continuam também as informações quando ao paradeiro de Ex Primeiro Ministro Carlos Gomes Junior e do Presidente Interino Raimundo Pereira. 

Os militares continuam a dizer que os mesmos estão em lugar seguro e que estão bem, depois de a comunicação social dar conta, ontem, de que de novo teriam sido transferidos para o Quartel Amura em Bissau, depois de terem estado no aquartelamento Militar de Mansoa, há cerca de 60 quilómetros da Capital.

Observadores pensam que  que essas informações contraditórias são manobras dilatórias para confundir a opinião pública e evitar um eventual resgate por parte de populares.


Por outro lado, em declarações a Imprensa, após o encontro de Lisboa de Ministro de Negocios Estrangeiros e de Relações Exteriores dos países da CPLP, o ministro Guineense dos Negocios Estrangeiros, Mamadu Saliu Pires disse acreditar que o Chefe de Estado Maior das Formas Armadas Guineenses, António Indjai, esteja à cabeça do auto intitulado Comando Militar.



Para Saliu Pires as noticias da sua detenção, pelos militares, nada mais são que tentativas de confundir propositadamente a opinião pública.